Serenita – Uma historia de amor

Serenita – Uma história de amor. Ana Mafalda Damião, escritora brasileña.

Serenita, uma sereia dos mares do Norte, estava sentada na meia-lua, entrançando algas e conchas para uma coroa. Duas grossas lágrimas brilhavam no seu rosto.

- Porque choras, minha amiga? Que maus pensamentos tens na tua cabecinha? – perguntou a Baleia docemente.

Serenita não respondeu. O seu olhar perdia-se no horizonte, para lá das ondas, para lá do mar.

- O que é que ela tem? – questionou o Cavalo Marinho intrigado.

- Se calhar tem o coraçãozinho apertado. – opinou a Lula.

- Diz-nos Serenita, – pediu o Golfinho

– porque choras tu? Serenita olhou à sua volta.

Tantos amigos que ali estavam!

- Amanhã é o Dia dos Namorados e eu estou muito triste, porque queria oferecer uma concha e o meu amor está muito longe. – respondeu ela soluçando.

- Serenita – disse a Carpa muito séria

– o amor não tem distância, está para lá do espaço.

- Mas eu queria muito dar-lhe uma prenda. – suspirou Serenita.

 

- Eu nado muito depressa. – disse o Golfinho.

- Se quiseres sentas-te nas minhas costas e eu levo-te até lá. – ofereceu-se ele.

- Não pode ser. – lamentou-se Serenita –

ele está muito, muito longe, para lá do mar, fala outra língua e pertence a outra espécie.

- A outra espécie e fala outra língua!

– surpreendeu-se o Polvo. Que espécie?!

- Bem… ele é… ele é… um Centauro – respondeu Serenita.

- Um Centauro?! Com tantos tritões por aqui e tu vais apaixonar-te por um Centauro?! – espantou-se a Tartaruga.

- O amor não escolhe espécies. – disse a Carpa.

- E fala apenas uma língua. – acrescentou a Medusa.

- Conta-nos lá Serenita, onde foste tu conhecer um Centauro. – continuou o Polvo.

- Foi na Marcha pela Paz. Aqui no mar, nós nadavámos e ,na terra, ao mesmo tempo, muitas espécies marchavam pela Paz no mundo.

Eu quis espreitar para ver como era e o meu olhar cruzou-se com o daquele centauro lindo e apaixonei-me. – respondeu ela, a chorar de novo.

Se calhar nunca mais o volto a ver! Ele precisa da terra para viver e eu preciso do mar. Os animais ficaram em silêncio. Como poderiam eles ajudar Serenita? Como podia ela oferecer uma concha ao Centauro, que tão longe estava? O Albatroz, que até ao momento tinha estado calado, propôs:

- Eu posso voar muito rápido, até ao país dos centauros, e levar-lhe a tua concha Serenita. Assim, ele saberá que estás com ele.

- Olha Serenita, – disse a Baleia – podias mandar-lhe também um recado pelo Albatroz, a combinar o dia em que se podem ver.

- E que dia seria esse? – questionou Serenita. E de que serve um dia num ano tão grande, tão grande?! – Serenita, escuta-me, – pediu a Carpa.

O amor não tem dias, porque está para além do tempo. Se, num dia do ano, puderes ver o Centauro, saberás que ele existe e é único para ti e ele saberá que tu existes e és única para ele. Serenita ficou pensativa. Os amigos olhavam para ela à espera de uma decisão.

- Albatroz… por favor, diz ao Centauro que o visitarei todos os anos, no dia 333. Os amigos suspiraram de alívio. Que bom que Serenita aquietava o seu coração!

-Em todos os outros dias do ano, – acrescentou Serenita – eu viverei o amor à mesma, porque o amor tem muitas formas, muitos tamanhos, muitas cores… e eu poderei levar conchas a muitos, muitos corações.

 

Fin


Serenita - Uma historia de amor

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